Quarentena

Contrariamente ao que normalmente acontece, hoje quem vos escreve sou eu, a Bárbara.

E permitam-me o desabafo: Mas que raio nos aconteceu?


Quarentena, foi o que nos pediram para fazer para que tudo fique bem!

Vamos todos congelar as nossas vidas, os nossos trabalhos e vamos todos ficar em casa, em isolamento social, #tudovaificarbem.

Só que não! As vidas não se congelam e os empregos muito menos. Viemos todos para casa, na tentativa de proteger o grupo mais vulnerável, os idosos. Fiquemos todos em casa, para que os mais frágeis sejam poupados.

Mas alguém lhes disse a eles que também têm de ficar em casa? Talvez o medo da solidão ou simplesmente por acreditarem que já viveram tudo aquilo que tinham para viver e seja o que Deus quiser, faça do grupo sénior o mais resistente a ficar em casa.

As escolas fecharam, alguns trabalhos ainda se fazem presencialmente, mas a maioria passou para teletrabalho.

Teletrabalho, sou só eu que não consigo trabalhar e manter as atividades normais que o miúdo deve ter?


Alguém me explica como é que consigo manter o trabalho em dia, fazer reuniões, online pois claro, ao mesmo tempo que mantenho um miúdo de 4 anos ocupado com histórias, danças e cantorias ao som do Panda, fazer bolos, almoço e jantar (sim, o meu gosta de cozinhar), jogar às escondidas, fazer desenhos, pinturas e brincadeira no geral? Quando o dia finalmente acaba, parece que um camião me passou por cima. É isto estar de quarentena? Então e o “aproveite para desacelerar” ou o “aproveite esta estadia em casa para fazer uma introspeção à sua vida”? Onde é que está?

Ainda por cima chegámos àquela fase do ano em que mudou a hora e imaginem, ficamos acordados mais 1 hora!!! E como os miúdos estão em casa e perderam a rotina de acordar cedo (pelo menos o meu) ficaram com os horários ainda mais baralhados...

Neste momento a única coisa que consigo fazer para manter alguma sanidade mental é ler ao final da noite. Leio os conselhos e percurso da Ana Milhazes, no seu novo livro "Vida Lixo Zero".

Para quem vai dar os primeiros passos num caminho mais sustentável, tudo o que ali está escrito parece ser muito simples de concretizar. Mas permitam-me reforçar o que diz a própria Ana, mudem aos poucos, uma mudança de cada vez. Quando já tiverem essa mudança bem interiorizada na vossa rotina e nos vossos hábitos, aí sim, passem para a próxima mudança. E muito importante também, não joguem fora o que têm em casa para irem comprar novo, mas sustentável.

Porquê? Porque sustentável é tudo aquilo que já têm em casa. Se em tempos compraram um pack com 3 escovas de dentes de plástico e ainda só usaram 1, não atirem para o lixo as 2 restantes só para comprarem 1 de bambu.

Já o fizeram?! Nesse caso para a próxima pensem em dar o que já não querem, porque podem ter a certeza que alguém vai querer! Conheci hoje, uma aplicação muito interessante, Olio. Deixo-vos aqui um pequeno artigo para a conhecerem, mas basicamente nesta aplicação vocês conseguem ver quem nas vossas redondezas tem algo para dar ou está disponível para receber, seja alimentar ou não alimentar.

Mas o livro vai acabar antes deste isolamento, talvez depois me dedique a plantar as folhas dos meses de janeiro, fevereiro e março do calendário semeável cá de casa.


Mas por agora voltemos ao nosso tema.

Ninguém sabe como vai ser depois da quarentena, nem por muito que se especule e que os analistas venham dizer que economicamente vamos atravessar uma fase muito má e que vão ser tempos difíceis.

É claro que em termos de economia não vai ser fácil, mas alguém acredita no contrário? Temos o país parado, a economia está parada. As empresas estão a entrar em layoff, as famílias estão em casa sem trabalhar... não tem como ser fácil!

Mas o que realmente me assusta é pensar como vão ser as relações daqui para a frente, ou se a sensação de poder sair de casa livremente vai voltar a ser a mesma.

Sempre fomos um povo de afetos e rua. Chegar a algum lado e dar dois beijinhos à amiga ou um aperto de mão ao amigalhaço, é algo que nos está enraizado! Ou, ao primeiro raio de sol lá vamos nós tomar um café com os amigos, que possivelmente se estende para o lanche ajantarado, porque do que nós gostamos mesmo é de conviver.

Mas será que vamos continuar a fazê-lo? Será que este distanciamento, agora obrigatório, não nos vai mudar essa essência? Será que vamos continuar iguais?

Acredito que patologias como ansiedade e ataques de pânico ganhem uma presença mais assídua nas nossas vidas.

Será que a incerteza do próximo inverno, e se vamos voltar à quarentena, nos vai tomar conta do coração e dos afetos? Espero que não, quero acreditar que vamos todos ficar bem; diferentes, mas bem!

E porque nunca é demais relembrar, lavem as mãos com frequência!

Beijinhos da equipa verde, como tão carinhosamente nos chamam à hora do almoço!

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